
PRÉMIO DE CONTO 'CAMILO CASTELO BRANCO' 2008
inclui os contos:
As Parcas / Uma aventura secreta do Marquês de Bradomín/
O Maldito, Marianina, e o feitiço da Rocha da Pena
“Sendo assim, com a consciência de não ter nada a perder, decidi ocupar o tempo que me resta a escrever o que o marquês deliberadamente ocultou por não ser risonho, nem belo, nem refinadamente erótico, nem suavemente melancólico, nem tocado pela magia desculpabilizadora do exotismo. Talvez isto confirme a sua convicção de que o marquês, apanhado na vertigem de tantos amores desencontrados, teve algumas vezes de sacrificar ao diabo, sem deixar de ser um católico devoto. “O diabo — escreveu ele — foi sempre um ser superior.” Será que esta frase deve ser lida como um mero dito espirituoso? Àqueles que se indignarem por eu forçar a entrada no edifício acabado das suas Memórias, atrevo-me a sugerir que estas páginas sejam lidas como um apêndice descartável da sua obra, talvez desagradável como a bula que acompanha o remédio, a qual na maior parte dos casos abala a nossa confiança, gera angústia, faz recear perigos insuspeitados, mas cuja ignorância não aproveita a ninguém. Veremos se terei forças para ir até ao fim mas entretanto quero reviver o passado, voltar ao dia em que o conheci, o meu amante fugaz, o místico libidinoso, o senhor marquês de Bradomín.”
Teresa Veiga, in Uma aventura secreta do marquês de Bradomín
Imprensa:
"Há duas décadas que Teresa Veiga vem publicando ficção de um apuro estilístico e uma subtileza notáveis. É o que acontece uma vez mais com Uma aventura secreta do Marquês de Bradomín, colectânea de três contos longos."
Pedro Mexia, "Ípsilon", in Público, 12 de Dezembro 2008
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