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Ao domingo, vou à missa das onze em Notre-Dame du Port. Tenho carro e as
distâncias não contam. Ainda não sinto a minha fé suficientemente forte para
enfrentar o mundo fechado da minha paróquia suburbana. Na nave central e nas
naves laterais da basílica romana, a multidão é compacta, viva, variada: é o
quadro que melhor convém ao meu zelo incerto de neófito. Sinto muito a minha
solidão e um desejo urgente de me ver livre dela. Costumo encontrar lá um
jovem casal cujas ternuras, noutros tempos, me teriam feito sorrir, e que
agora invejo. Há já alguns domingos que também vejo, sempre no mesmo lugar,
uma rapariga loura de uns vinte anos. Chama-se Françoise. Ainda não sei nada
dela. Não sei ao certo se já me terá visto, mas já existe em mim a ideia
nítida, precisa, definitiva, de que vai ser minha mulher.
Eric Rohmer: Reputado realizador,
intimamente ligado à Nouvelle Vague e à publicação que deu voz aos
realizadores deste movimento, os Cahiers du Cinéma, Eric Rohmer (n. 1920)
possui uma vasta filmografia. Estes Seis contos morais «precedem» a série de
seis filmes homónimos que daqui nasceram.
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