Em 1629, o Batávia, orgulho da Companhia Holandesa das Índias
Orientais, naufragou nos escolhos de um arquipélago de coral, a uns oitenta
quilómetros das costas australianas. Os trezentos sobreviventes, que se
salvaram a custo de afogamento, caíram nas mãos de um deles, um psicopata
visionário, que, secundado por um punhado de acólitos, empreendeu o massacre
metódico do grupo.
Na época, a tragédia do Batávia acendeu a imaginação do público, mais
ainda do que o o naufrágio do Titanic o virá a fazer no século XX.
Simon Leys, que passou algum tempo no local do drama, verificou que,
paradoxalmente, os náufragos poderiam ter aí gozado “uma existência não
desprovida de encanto”.
Não será possível ver neste massacre aberrante um microcosmo dos horrores
engendrados na nossa época pelas ideologias delirantes que prometem o
Paraíso na terra?
A segunda narrativa que completa este volume resulta de uma inspiração
completamente diferente. O autor relata aí uma experiência de juventude,
quando, embarcado por um Verão num atuneiro bretão – um dos últimos veleiros
– é iniciado nas artes da pesca, de que descreve os usos, as provações
e os perigos.
Registou neste relato a recordação do companheirismo fraterno e desse
mundo agora desaparecido.
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