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A
peste alastra. Medeia está perdida. Vai-se esfumando. Vai-se esfumando
diante dos meus olhos, e eu não posso travá-la. Estou a ver
diante de mim o que lhe vai acontecer. Vou ter de assistir a tudo. É o
meu destino, ter de assistir a tudo, antever tudo e não poder fazer
nada, como se não tivesse mãos. Quem se serve das mãos
tem de as mergulhar em sangue, quer queira, quer não. Eu não
quero ter mãos ensanguentadas. Quero ficar aqui em cima, no terraço
da minha torre, e de dia observar o formigar lá em baixo nas ruas
de Corinto, e de noite banhar os olhos na escuridão do céu
lá em cima, onde a pouco e pouco vão surgindo as várias
constelações, como companheiras familiares. […] Medeia diz
que eu sou um homem que receia a dor. E eu gostaria que ela, por sua vez,
receasse mais a dor.»
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