Aos dinossauros
É o último
fim-de-semana para ir
aos dinossauros
(a cidade pôs-se em faixas para
os primos da Mongólia) os
ninhos de Oviraptor os
dentes do Tarbossauro.
A cultura vai deixar a urbe petrificada
Prometemos às crianças levá-las a ver as ossadas
(ah, domingos citadinos de
coprólitos e
pegadas). Todos os outros já foram ver por
ver os dinossáurios
(migrações imanadas de gerações adiadas)
na fila da bilheteira chegámos a atingir
trinta metros.
João
Luís Barreto Guimarães, Luz
Última
Imprensa
"Luz
Última, sendo um livro biografista e subjectivista, é
paradoxalmente um conjunto de poemas que não fecham o poeta em si
mesmo mas que o deixam receptivo ao mundo. A luz (trágica) da nossa
intimidade serve como chave definitiva para o mundo das coisas concretas
e sem importância. Que afinal são também aquilo que mais importa:
'Pela luz rara da garagem dois vultos / vão pôr o lixo. São velhos
desconhecidos. Um / ao outro dão passagem (a / máscara de um cumprimento)
esquivos na / escatológica arqueologia das misérias. / Homens de
lixo na mão: exímios / a ocultar / versos de vida doméstica (quando
/ o gesto liso cabe ao avental abundante que os devolve a casa).
Há / em todo esse agravo uma redenção ferida / (um juízo resolvido)
como que um / indulto lento' (pág.49)"
Pedro
Mexia, in "6ª", Diário de Notícias,
10.03.06
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