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[Poesia de língua portuguesa]

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Luz Última

ISBN:972-795-152-x

João Luís Barreto Guimarães

62 pp.

€8,00

 


 

 

 

 

 

 

Aos dinossauros

É o último fim-de-semana para ir
aos dinossauros
(a cidade pôs-se em faixas para
os primos da Mongólia) os
ninhos de
Oviraptor os
dentes do
Tarbossauro.
A cultura vai deixar a urbe petrificada
Prometemos às crianças levá-las a ver as ossadas
(ah, domingos citadinos de
coprólitos e
pegadas). Todos os outros já foram ver por
ver os
dinossáurios
(migrações imanadas de gerações adiadas)
na fila da bilheteira chegámos a atingir
trinta metros.

João Luís Barreto Guimarães, Luz Última

 

Imprensa

"Luz Última, sendo um livro biografista e subjectivista, é paradoxalmente um conjunto de poemas que não fecham o poeta em si mesmo mas que o deixam receptivo ao mundo. A luz (trágica) da nossa intimidade serve como chave definitiva para o mundo das coisas concretas e sem importância. Que afinal são também aquilo que mais importa: 'Pela luz rara da garagem dois vultos / vão pôr o lixo. São velhos desconhecidos. Um / ao outro dão passagem (a / máscara de um cumprimento) esquivos na / escatológica arqueologia das misérias. / Homens de lixo na mão: exímios / a ocultar / versos de vida doméstica (quando / o gesto liso cabe ao avental abundante que os devolve a casa). Há / em todo esse agravo uma redenção ferida / (um juízo resolvido) como que um / indulto lento' (pág.49)"

Pedro Mexia, in "6ª", Diário de Notícias, 10.03.06

 

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