Entre
fraga e desabrigo
Eu sou pobre, pobre, pobre,
onde está o corpo amigo
que me cobre, cobre, cobre?
Nado de arraia-miúda,
no serial da avenida,
por que fui dar nessa boca
que me fere intimativa?
Por que justo nesse beijo,
sigla de ouro e veneno
que enigma meu desejo
com lacre azul metileno?
Entre desabrigo e fraga
nasce e morre o quem da série
que se oculta sob a chaga
que difere, fere, fere.
Outros títulos de Carlito Azevedo nos Livros Cotovia: Monodrama, 2010.
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