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[Poesia de língua portuguesa]

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Versos

  ISBN:972-795-140-6

Rodrigues, Amália

126 PP.

€12,00

 

 

 

 

 

 

 

Depois Disto...Desisto

Tantas coisas que já li
Outras tantas que vivi
Fazem de mim o que sou
Ai se eu tivesse esquecido
Tudo o que tenho vivido
E o coração decorou
Tudo é questão de memória
É o nosso pensamento
Que a vida nos vai passando
A memória faz história
Do que foi cada momento
Que nós vamos recordando
Isto da alma é segredo
Ninguém sabe desvendar
Os porquês de tudo isto
Sabemos que tarde ou cedo
Iremos a enterrar
E depois disto...desisto

 


" [...] sei praticamente de cor todos os versos que a senhora canta [...]. De cor ou de cor negra são quase sempre as cantigas do seu próprio punho e nelas podemos de imediato sentir o gosto óbvio pela redondilha tão ao jeito do fado, mas que ela sabe manejar musicalmente em certas aliterações e outros jogos verbais, verdadeiros achados poéticos."

Armando Silva Carvalho, Diário de Notícias

" Amália soube, como ninguém tinha sabido antes dela, trazer a grande literatura ao fado e, com isso, dar-lhe uma dignidade diferente, com a ajuda insigne de Luís Vaz de Camões, de Pedro Homem de Mello, de Alexandre O´Neill, de David Mourão-Ferreira. Se isto já não é pouco, parece-me, ante a sua poesia, que podemos compreender melhor as motivações que a levaram a cometer tais desafios, já nos longínquos anos 60. E o que ela escreveu fala por si, pois captou destramente os processos da redondilha para neles projectar a sua personalidade e a sua vida. Amália sabe aliar as tradições que são, ao mesmo tempo, do fado e da nossa literatura, à espontaneidade e à frescura de uma escrita despretensiosa mas muitas vezes pungente. Ou, pondo as coisas de outra maneira: poderia dizer-se que o que nela é tão musical e poético decorre, em parte, desse longo trato vivido com o fado na sua expressão popular e com os grandes autores que ela escolheu para lhes cantar as palavras também em fado; mas teria sempre de acrescentar-se que decorre igualmente de uma sensibilidade apuradíssima e de um instinto certeiro. A poesia é sempre «uma estranha forma de vida»..."

Vasco Graça Moura, Diário de Notícias

“ Fiquei deslumbrado. Aquilo era a Amália toda inteira, cheia de animação (...), e coisas tristes, poemas de amor, do mais impetuoso arrebatamento, ou versos cheios de ternura, a falar dos bichos, das coisas silvestres, das flores que nascem à toa nos prados e a Amália anda a correr pelos campos para as levar todas para casa, antes que apareça um polícia. E já tem aparecido. Tinha de se fazer um livro com aqueles versos. (...) “ Mas acha que vale a pena?” perguntou-me a Amália. Se vale a pena? Aquilo é tudo lindo, é tudo Amália. (...). E agora, aqui está o livro de versos de Amália, a Amália a quem tanta gente fez versos ”.

Vítor Pavão dos Santos, in Versos, ”Nota final”


 

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