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[Poesia de língua portuguesa]

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vida: variações

  ISBN:978-972-795-242-7

Bénédicte Houart

106pp.

€14,00

má língua:
aquela que se porta bem
na minha boca

Bénédicte Houart, in vida: variações

chamo-me penélope
dizem que passei muitas noites a tecer
é mentira
passei-as a fazer amor
com cada um dos meus pretendentes
e gozei de cada vez a valer
depois chegou o meu velho marido
dizem que não o reconheci
é mentira
ele é que não me conheceu

Ítaca onde me deitei
deu-me todas as viagens que desejei

Bénédicte Houart, in vida: variações

imprensa

Esta poesia, simultaneamente subtil e rude, cumprirá a sua estrada de Damasco, incompreendida por certa crítica fascinada por fogachos formalistas, que é o que aí mais se vê.

Torcato Sepúlveda, Público, 19/11/05

“Procuro mostrar o outro lado das frases que usamos no dia-a-dia, reelaborá-las e mostrar que há outras facetas…”

“Lendo os meus textos há um lado mais rude que tem a ver com um sentimento de revolta. E outro mais doce. Jogo com as várias possibilidades semânticas das palavras”.

“Um ser humano vivo não pode deixar de pensar na morte e de vez em quando quer deixar de viver.”

Bénénicte Houart, Diário de notícias, Sábado 8 de Março de 2008.

 

“Enquanto poeta, gosta de se colocar no lugar da observadora… Fala de morte como um velho, do sexo como uma prostituta, das mulheres como um homem”.

“E trabalha de várias formas a mesma frase… à procura da palavra exacta mesmo quando essa palavra é a morte, o fim de todas as possibilidades. E esse é um tema recorrente na sua poesia. A morte e as mulheres ou a mulher, no singular.”

Isabel Lucas, Diário de Notícias, Sábado 8 de Março de 2008.

 

“Exprimo uma revolta que não tem muito a ver com a minha personalidade no contacto com os outros. Sou, em geral, delicada, mas nos meus textos espero não ser delicada. O mundo exige pessoas indelicadas porque é feio. Há beleza, mas é preciso perspicácia para a encontrar… Portanto, espero que os meus textos sejam belos mas exprimam a fealdade do mundo.”

Bénedicte Houart, Ípsilon, Sexta-feira 04 de Abril de 2008.

“Na poesia portuguesa contemporânea… o primeiro livro de Bénédicte, Reconhecimento (Angelus Novus / Cotovia, 2005), foi uma descoberta desconcertante. Não tinha pares muito evidentes. Vida: Variações, que acaba de sair na Cotovia, confirma essa autonomia desassombrada, nos desequilíbrios como nas asperezas,”

Alexandra Lucas Coelho, Ípsilon, Sexta-feira 04 de Abril de 2008.

 

“A recente publicação de Vida: Variações, pela Cotovia, vem confirmar uma voz autêntica e original… A condição de mulher é matricial na sua escrita, não tanto como algo adquirido, mas como algo a que não se cessa nunca de chegar completamente… Estamos perante uma revisitação dos mitos de feminilidade.”

“ A morte aparece como um tema nuclear… Os poemas mais dilacerantemente belos, de Vida: Variações, são aqueles em que a escrita aparece como o lugar privilegiado da aprendizagem da morte.”

António Brás, Ípsilon, Sexta-feira 04 de Abril de 2008.



Bénédicte Houart (Bélgica, 1968) foi docente de Estética na Faculdade de Letras do Porto. Vive actualmente em Coimbra, onde se dedica à escrita e à tradução. Publicou na colecção Inimigo Rumor (co-edição Angelus Novus/Cotovia), em 2004, o seu primeiro livro de poesia, Reconhecimento.

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