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[Poesia traduzida]

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Alguns cantares

Machado, Manuel

XXX+130pp.

€13,10
selecção e tradução de José Bento

 

Eu, poeta decadente,
espanhol do século vinte,
que os touros elogiei
e cantei
as vadias e a aguardente...
e a noite em Madrid,
e os recantos impuros,
e os vícios mais escuros
destes bisnetos do Cid...,
de tanta velhacaria
farto estar um pouco devo;
já estou doente, e não bebo
o que disseram bebia.

Porque já
uma coisa é a poesia
e outra coisa o que está
bem gravado na minha alma.

Lugar comum, este, enorme.
Alma, palavra cansada.
Minha...Não sabemos nada.
Tudo é segundo e conforme.


Yo, poeta decadente,
español del siglo veinte,
que los toros he elogiado,
y cantado
las golfas y el aguardiente...
y la noche de Madrid,
y los rincones impuros,
y los vicios más oscuros
de estos biznietos del Cid...
de tanta canalleria
harto estar un poco debo,
ya estoy malo, y ya no bebo
lo que han dicho que bebía.

porque ya
una cosa es la Poesía
y otra cosa lo que está
grabado en el alma mía...

Grabado, lugar común.
Alma, palabra gastada.
Mía...No sabemos nada.
Todo es conforme y según.

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