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[Poesia traduzida]

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Ilíada

Homero

508 pp.

ISBN:972-795-118-x

introdução e tradução do grego de Frederico Lourenço  
€35,00

 

 

 

 

A Ilíada, primeiro livro da literatura europeia, terá surgido no século VIII a.C., no fim de uma longa tradição épica oral; extraordinário canto de sangue e lágrimas, em que os próprios deuses são feridos e os cavalos do maior herói choram, este poema de guerra em 24 cantos mantém inalterada a sua capacidade esmagadora de comover e perturbar. O título remete imediatamente para Ílio ou Ílion – Tróia – e, embora tivesse sido possível, num poema com 16.000 versos, narrar toda a guerra de Tróia, Homero isola um período de pouco mais de cinquenta dias, já na fase final das hostilidades, do qual nos descreve, em termos de acção efectivamente narrada, catorze dias. Concentra, assim, simbolicamente uma guerra de dez anos em duas semanas. Repetindo a proeza alcançada com a sua magnífica Odisseia, Frederico Lourenço oferece-nos agora a primeira tradução integral portuguesa, em verso, desta obra máxima da literatura mundial.

Canta, ó deusa, a cólera de Aquiles, o Pelida
(mortífera!, que tantas dores trouxe aos Aqueus
e tantas almas valentes de heróis lançou no Hades,
ficando seus corpos como presa para cães e aves
de rapina, enquanto se cumpria a vontade de Zeus),
desde o momento em que primeiro se desentenderam
o Atrida, soberano dos homens, e o divino Aquiles.




Imprensa

Milagres de 2005

Já em tempos festejei nestas crónicas (Ninguém que não tenha nome) a tradução de A Odisseia de Frederico Lourenço. [...]

Este ano saiu a Ilíada e só posso repetir o que escrevi sobre a Odisseia:" Colmatou-se uma lacuna evidente, pois que nenhuma tradução disponível, do original grego e em verso existia para quem, como eu, procurava uma língua para Homero". Ou, para citar o tradutor: ["Devolveu-se] ao leitor da língua portuguesa o prazer do texto homérico. Significa isto que, apesar de vertida do grego e com a máxima fidelidade ao original, não é uma tradução arcaizante nem académica. É uma tradução para ser lida pelo gozo de ler." "Pelo gozo de ler" repito e retenham, gozo que é aumentado se o poema, sobre cuja oralidade se escreveram rios de tinta, for lido em voz alta, o que, segundo os peritos, está implícito na própria contextura poética.

João Bénard da Costa, in Público, 16.10.05

 

A Ilíada pelas mãos de Frederico Lourenço

A edição da Livros Cotovia da Ilíada com a nova tradução de Frederico Lourenço, a primeira tradução contemporânea integral do original grego, é um acontecimento que ficará para além da nossa habitual e furiosa produção de espuma cultural subsidiada. O poema homérico brilha agora no português de hoje com o mesmo esplendor das origens, feito de primeiras palavras, de metáforas ainda completamente vivas, de nomes que milhares de anos tornaram familiares arrastando-nos a este mundo antigo, tão nosso, tão por debaixo do nosso chão. se estivéssemos na Grécia, ou mesmo em Roma, podíamos bater com os pés na terra para saudar o livro, como o poeta Horácio aconselhava depois da batalha do acio. [...] A Ilíada, tanto como a Odisseia, é o nosso terreno fundador, o de um mundo que a guerra moldou muito mais do que hoje queremos, ou podemos admitir.

José Pacheco Pereira, in Público

 

 

Depois da tradução da Odisseia, a recente edição da Ilíada por Frederico Lourenço é um acontecimento maior na cultura portuguesa. Uma festa da poesia e da língua. Ele não nos traz apenas a equivalência idiomática, restitui-nos a música inigualável dos versos de Homero, a música fundadora e primordial desse poema que consubstancia a própria essência da condição humana.

Manuel Alegre, Expresso - 02/04/05

 

Talvez a Ilíada não seja um livro, mas a própria ideia de literatura e todos os outros livros reescrevam incessantemente alguma estrofe ou algum verso seu

[...] Longínqua e fragmentária, a Ilíada tornou-se para mim uma espécie de continente mítico, inalcançável, onde voltava sempre e em torno do qual giravam todos os outros livros. Porque talvez a Ilíada não seja um livro, mas a própria ideia de literatura. E talvez todos os livros que se escreveram depois reescrevam incessantemente alguma estrofe ou algum verso da Ilíada.
Ao longo dos anos, à medida que eu próprio ia mudando, a Ilíada mudava. No múltiplo e desvairado aleph que a Ilíada é, eu comovia-me ora com a despedida de Heitor de Andrómaca e do filho, ora com a dor avassaladora de Aquiles ao saber da morte de Pátrocolo, ora ainda com a coragem ou a infâmia de algum dos breves personagens que a todo o momento emergem e logo de novo se perdem na turba semovente dos combatentes.
Mas todos somos, de um modo ou de outro, troianos. E o meu imutável herói foi sempre o destemido, o nobre Heitor. Desde a primeira juvenil leitura detestei a brutalidade de Agamémnon, a arrogância de Aquiles, as manhas e as habilidades retóricas de Ulisses e, em geral, o carácter e os processos dos gregos. Viria, aliás, a descobrir que Agamémnon não hesitara, antes, em assassinar a própria filha para conseguir os seus fins, e que tanto Ulisses como Aquiles tentaram, com expedientes ridículos (Ulisses fazendo-se de louco, Aquiles disfarçado de mulher),
desenfiar-se da expedição... E, durante muito tempo, cheguei a alimentar o desmesurado projecto de escrever um longo poema com os acontecimentos ocorridos, que fui descobrindo avulsamente aqui e ali, em Vergílio, em Eurípides, em Sófocles, entre o final da Ilíada e o começo da Odisseia...
A tradução de Frederico Lourenço da Ilíada, agora enfim publicada, é decerto um acontecimento histórico para a cultura portuguesa, finalmente aproximando da nossa língua aquele que, como Frederico Lourenço diz, é o livro primeiro e, sob muitos aspectos, o livro maior da literatura europeia. Para mim, como certamente para muitos outros leitores, é, porém, mais do que isso, é o encontro emocionado e feliz com uma parte que me faltava da minha própria vida.

Manuel António Pina, "Visão" - 21/04/05

 

As bofetadas de Alcibíades

A tradução da Ilíada de Frederico Lourenço conjuga excelentemente a visão do mundo homérico com a nossa língua e respira nela com uma força, um ritmo e uma modernidade incomparáveis.
Sobre o texto original, com a sua sedimentação lexical indestrinçável de várias épocas e regiões da Hélade e a sua distância considerável da fala quotidiana dos gregos, já se disse ser a linguagem da epopeia feita de dialectos.
Aqui, ela é feita de muitas modalidades do português corrente, umas cultas, outras populares, outras desinibidamente quase "jornalísticas", mas sempre com uma musculada vivacidade a agarrar o leitor ao texto fundador da literatura europeia e aos seus múltiplos vestígios de uma fortíssima oralidade originária cuja carga dinâmica e mnemónica se manté
m.

[...]

Canto da força, da guerra e da morte, permeado pelo quotidiano da cultura material e pelas saudades do tempo da paz, a Ilíada, tal como a Odisseia, levou dois mil e oitocentos anos a chegar à língua portuguesa nestas esplendorosas integrais de Frederico Lourenço.

Vasco Graça Moura, in Diário de Notícias, 13/04/05

 




 
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