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[Poesia traduzida]

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Mausoléu

Hans Magnus Enzensberger

272 pp.

€18,00

tradução e prefácio de João Barrento  
   

Publicado na Alemanha em 1975, Mausoléu é constituído por trinta e sete baladas dedicadas a trinta e sete figuras históricas que, de alguma forma, contribuíram para o progresso da humanidade. Esta galeria de figuras retratadas, que vão do século XIV (Giovanni de’ Dondi) ao século XX (Ernesto Che Guevara), engloba cientistas, revolucionários, engenheiros, inventores, arquitectos, políticos, filósofos e artistas; os retratos não escondem uma amargura que, para a maior parte da crítica da altura, surgiu como expressão do abandono da utopia revolucionária dos anos sessenta e retrocesso ao desencanto e a alguma melancolia.

Por trás da “objectividade” do poema-retrato narrativo Enzensberger procura respostas para as suas próprias interrogações sobre a relação entre os imperativos do progresso e as contradições da natureza humana; ou entre as exigências da revolução política, científica ou estética e o perigo da queda na barbárie. “São histórias de sucessos e fracassos, da disparidade e quase impossibilidade de conciliação entre o génio (...) e as exigências de uma vida «humana»”, diz o tradutor João Barrento, no Prefácio. “Se o próprio título – Mausoléu – parece sugerir qualquer coisa como um necrológio dos mentores do progresso, alimentado por um pessimismo cultural (...), aquilo que de facto move a escrita destes poemas nunca é o radicalismo que se rebela contra uma noção construída de progresso (...).”

Sobre a actualidade e pertinência de Mausoléu no ano de 2004, João Barrento acrescenta:

“(...) Relido hoje, o livro de Hans Magnus Enzensberger permite ver como o progresso (...) foi cada vez mais naturalmente (...) afectando vidas, sociedades, sistemas. De forma positiva, proporcionando-nos aquilo a que se convencionou chamar “qualidade de vida” (...), e também negativa, porque progresso e sistema castrador andam sempre de mãos dadas. E desta relação emerge um primeiro problema de fundo, e uma contradição não resolvida: aos grandes sistemas da industrialização, da urbanização e da comunicação globalizada, na primeira como na terceira ou quarta revoluções tecnológicas, corresponde uma progressiva (mas será que é progressista?) racionalização e desmassificação do trabalho… na era social das massas.”
 

Hans Magnus Enzensberger, nascido em Kaufbeuren, na Baviera, em 1929, estudou Literatura, Línguas e Filosofia em Erlangen, Hamburgo, Friburgo e Paris (Sorbonne). Escreve os seus primeiros livros na Noruega e em Itália (Defesa dos lobos; A língua nacional). Organizador de influentes antologias e colecções de poesia, será o responsável pela primeira selecção representativa da obra de Fernando Pessoa na Alemanha. Em 1965, praticamente interrompe a sua actividade poética para se dedicar à revista político-cultural "Kursbuch" (Roteiro), por ele próprio fundada e que só abandonará em 1975. Nela aparecem alguns dos seus mais significativos ensaios de intervenção.

Viajará muito durante os anos sessenta e setenta, pelos Estados Unidos, México, União Soviética, América do Sul e Central e pela Europa Meridional, com estadas prolongadas em Cuba (1968-69) e Nova Iorque (1974-75). Em pleno “Verão quente”, estava Mausoléu pronto para ser publicado, Enzensberger desloca-se a Portugal, onde dinamiza vários encontros com escritores e intelectuais portugueses.

Foram-lhe atribuídos numerosos prémios, de entre os quais se destacam o Prémio Georg Büchner da Academia Alemã de Língua e Poesia, o Prémio Heinrich-Böll, o Prémio Ernst Robert Curtius de ensaio, o Prémio Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades e a Ordem Pour le Mérite.

Na década de 90 publicou, para além de quatro livros de ensaios, quatro livros de poesia (Música do Futuro; Quiosque. Novos Poemas; Mais Leve Que o Ar. Poemas Morais; Vozes Espectrais. Traduções e Imitações) e um romance (Por Onde Tens Andado, Roberto?).

H. M. Enzensberger vive desde 1980 em Munique.

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