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Grande helenista, a quem
nem sequer falta boa formação em duas especialidades pouco cultivadas
no nosso país - a crítica textual e a métrica grega -, pôde Frederico
Lourenço levar a bom termo esta tarefa tão difícil de executar, uma tradução
em verso solto, cadenciado mas não espartilhado, próximo da literalidade,
mas não por ela escravizado, preservando as fórmulas e epítetos, que,
quer sejamos oralistas quer não, são características do estilo homérico.
[...]
O aparecimento desta nova versão nem precisa de ser justificado.
Corresponde a uma fase muito diferente da compreensão dos Poemas
Homéricos (note-se
que digo apenas "muito diferente", porque a compreensão total de
uma obra-prima talvez não possa nunca atingir-se em plenitude) e
provém de
um helenista com as qualificações de ordem linguística, literária
e estética necessárias para ser bem sucedido. Deste modo se tornou
acessível, e
mesmo apetecível aos não especialistas, uma obra que é de todos os
tempos.
Maria Helena da Rocha Pereira,
in Público
Não cabe aqui fazer ressaltar aspectos surpreendentes do magnífico
poema sobre o retorno
de Ulisses, «a espantosa urdidura formal, o domínio de técnicas narrativas
da mais alta sofisticação, a capacidade de obter os mais esmagadores efeitos
poéticos por meio da linguagem mais simples e transparente» (Frederico Lourenço,
in ‘Prefácio’), mas sim, de forma mais directa, apelar à leitura de um livro
fundamental da nossa civilização:
Porquê esta nova tradução
da Odisseia?
Porque nenhuma das duas traduções até agora disponíveis em Portugal reunia
as características ideais para enlevar e comover os leitores. A tradução do
Professor Frederico Lourenço foi vertida directamente do grego, é fiel ao
original, em verso, actual à luz da Filologia Clássica e não é arcaizante
nem académica. Pretende devolver ao leitor de língua portuguesa o prazer do
texto homérico, isto é, de uma história empolgante, maravilhosamente
contada. A qualidae do trabalho do tradutor foi já bastamente elogiada,
aclamada e reconhecida pela crítica.
Porquê ler a Odisseia hoje?
1) Porque suscita no leitor o deleite e a comoção de uma
história de «interesse imorredouro, contada com eficácia arrasadora»;
2) Porque é, a seguir à Bíblia, o livro mais influente no
imaginário ocidental. Não é por acaso que a literatura romana começa, no
séc. III antes de Cristo, com a tradução para latim da Odisseia. E ao longo
dos tempos, vários aspectos da história do retorno de Ulisses entraram no
quotidiano ‘cultivado’ da civilização ocidental: a teia de Penélope, as
Sereias, o Ciclope antropófago, o saque de Tróia por meio do estratagema
do cavalo de madeira, a magia de Circe, o amor sufocante de Calipso;
Porque Ulisses – afinal o elemento chave que liga toda a narrativa e por
quem somos conquistados logo no primeiro momento – é a própria
consubstanciação da inteligência humana e da vocação do ser humano para o
infinito sofrimento: o herói mais ‘humano’, que sofre mas saboreia os
prazeres da sensualidade e da aventura, astuto, que mente, mata e sobrevive,
que abraça as múltiplas experiências que vêm ao seu encontro, que supera os
perigos e as ameaças – e que é, essencialmente, a figura a quem as
circunstâncias, e não a sua própria natureza, conferem uma dimensão heróica.
Nele se projecta a essência do Homem Ocidental – daí que encontremos novos
Ulisses em todo o tipo de narrativa posterior, da literatura ao cinema,
de
James Joyce ao Indiana Jones.
A imprensa escrita sobre
Odisseia:
"E com o meu nome vos digo que um dia, quando assentar
a poeira e não restar memória dos 'light tops' editoriais
de 2003, se saberá que o grande livro escrito em língua
portuguesa, neste ano da Graça de Deus, foi 'A Odisseia', traduzida
por Frederico Lourenço, quando Palas Atena nele insuflou grande
força poética."
João Bénard da Costa, Público
"... extraordinária
tradução da Odisseia de Homero, num trabalho deslumbrante
de Frederico Lourenço."
Eduardo Prado Coelho, Público
"... é um
verdadeiro acontecimento cultural. Arrisco mesmo, desde já,
que se trata do acontecimento cultural mais importante do ano! (...)
Graças a esta tradução, a Odisseia acaba de se
tornar, entre nós, um verdadeiro e imprescindível 'clássico
para o povo'. Feliz quem, como Ulisses, dispõe de um texto assim."
Vasco Graça Moura, Diário de Notícias
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