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A Terra Santa (1984) é o primeiro livro traduzido e publicado em Portugal de
Alda Merini, considerada uma das grandes poetas contemporâneas italianas.
Depois de alguns livros escritos nas décadas de cinquenta e sessenta, Alda
Merini é internada no hospital psiquiátrico Paolo Pini, na periferia de
Milão, iniciando um prolongado silêncio. Sete anos de internamento e outros
tantos de idas e vindas apenas permitirão o regresso à escrita em 1979,
aparecendo o primeiro livro, fruto desse regresso, já em 1984: A Terra
Santa. Apoiada pelos seus “mestres de estilo” e com a ajuda da
crítica e
filóloga Maria Corti, que faz a escolha, de entre centenas de textos
escritos durante esses anos, dos 40 textos que compõem o livro, o regresso
de Merini à publicação fica marcado “por uma única matriz obsessiva, a
tensão entre poesia e doença”, como realça Clara Rowland, tradutora
e prefaciadora deste volume.
Segundo a própria Alda Merini existem “dois tempos” na sua poesia: “um, o
primeiro, o tempo da minha adolescência que surpreendeu alguns leitores
pelos voos do verso, pelas assonâncias, pelo relevo dos mitos; e o
segundo tempo, que se seguiu ao internamento.”
Por isso a “Alda Merini que aqui se apresenta reside unicamente neste
território indefinido que vai ganhando forma ao longo dos quarenta
poemas de A Terra Santa, palco de projecções e de sobreposições, condensação máxima
das várias metáforas sobrepostas à palavra manicómio, que é também o teatro
de um mundo menor. Trata-se de uma terra de fronteira entre uma força
poética inata e inegável e uma vivência do limite que irá atribuir à poesia
uma condição extrema de desespero. Mas o estabelecimento desta distinção
está marcado pela mesma infinita possibilidade de inversão que caracteriza a
polarização do espaço do manicómio entre um dentro e um fora, entre delírio
e lucidez.” (Clara Rowland in Introdução)
Como afirma Alda Merini:
A minha poesia tem para mim a importância da minha própria vida, é a
minha palavra interior, a minha vida.
Alda Merini nasceu em Milão em 1931. O seu primeiro livro de poesia, La
presenza di Orfeo (A presença de Orfeu), publicado em 1953, foi muito bem
recebido pela crítica. Seguiram-se-lhe Paura di Dio (Medo de
Deus, 1955), Nozze romane (Núpcias romanas, 1955), Tu sei Pietro. Anno 1961 (Tu és Pedro.
Ano 1961, 1962).
Após um silêncio editorial que se prolonga por vinte anos, Alda Merini volta
a publicar poesia: Destinati a morire. Poesie vecchie e nuove (Destinados
a morrer. Poemas velhos e novos, 1980), La Terra Santa (A Terra
Santa,
organizada por Maria Corti, 1984 – prémio Citadella, 1985) e Testamento (org.
por Giovanni Raboni, 1988).
Nos anos 90 dá início a uma nova fase na escrita e publicação, com o
aparecimento dos livros em prosa centrados na sua própria pessoa. Assim
surge L’altra verità. Diario di una diversa (A outra verdade.
Diário de uma
pessoa diferente, 1986), Delirio Amoroso (Delírio Amoroso, 1989), Il
tormento delle figure (O tormento das figuras, 1990), Le parole
di Alda Merini (As palavras de Alda Merini, 1991), La pazza della
porta accanto (A
louca do lado, 1995), La vita facile. Sillabario (A vida
fácil. Silabário,
1996) e Lettere a un racconto. Prose lunghe e brevi (Cartas
a um conto. Prosas longas e breves, 1998).
Foi-lhe atribuído o Prémio Librex-Guggenheim “Eugenio Montale” pela sua
poesia em 1993, em 1996 o Prémio Viareggio, em 1997 o Prémio Procida – Elsa
Morante e, em 1999, o Premio della Presidenza del Consiglio dei Ministri –
Settore Poesia.
Alda Merini vive actualmente em Milão.
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