
‘O génio dele está em dar voz a tudo aquilo que sabíamos instintivamente mas que não tínhamos palavras para dizer.’
Observer
Psicanalista e ensaísta de renome com vasta obra publicada, coordenador das novas traduções da obra de Freud para a Penguin Modern Classics, Adam Phillips vê na psicanálise uma espécie de poesia prática — uma linguagem com afinidades com outras linguagens literárias, uma disciplina que instiga as pessoas a celebrarem-se. Ou seja, uma forma de prazer. Sendo o flirt também um prazer, Phillips é o estudioso ideal para o tema e aborda-o, como lhe é característico, de forma muito arguta e surpreendente.
A vulnerabilidade marca todos os contratos, também os amorosos; ninguém escapa ao acaso, porque o futuro não está ao alcance para ser reprimido ou manobrado. Porém, muitos contratos amorosos ajudam à ilusão de que podemos impedir antecipadamente as inevitáveis incertezas do desenrolar do tempo. Ora, o flirt é justamente a disposição contrária.
“Renúncia ao tormento do irremediável que está presente no compromisso” é uma definição possível de flirt; outra será “disponibilidade para diversas fidelidades”. Ao renunciar ao compromisso, o flirt aceita a imprevisibilidade da vida e vive na excitação constante que a incerteza traz consigo.
O que Adam Phillips faz magistralmente neste livro é repensar questões intemporais que nos dizem respeito a todos: O que é que sustenta o nosso interesse pelo outro? Um relacionamento mede-se pela duração e pela fidelidade? A frustração que a duração acarreta é um bom argumento contra a fidelidade? A culpa é uma forma de autocontrolo e de controlo alheio? Seduzir é desviar? O maior compromisso de cada ser humano, especialmente na vida afectiva, deve ou não deve ser com a verdade?
Se aceitarmos que os ideais que regem cada vida individual devem partir de afinidades e não de inquestionadas imposições, a vida torna-se um jogo mais ameaçador mas, provavelmente, mais moral. Correr riscos, namorar oportunidades, são formas de flirt — mesmo que alguns flirts acabem por reforçar as regras que pretendem rejeitar. Mas, até nisso, o flirt é um movimento de liberdade. Ou não?
Do mesmo autor, nos Livros Cotovia, Louco para não dar em louco, um livro sobre a sanidade.
Adam Phillips é psicanalista e ensaísta de renome, com vasta obra publicada. Escreve regularmente para a London Review of Books, o Observer e o The New York Times; é coordenador das novas traduções da obra de Freud para a Penguin Modern Classics.
Outros livros do autor publicados por Livros Cotovia: Louco para não dar em louco.
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