A
obra que os Livros Cotovia reeditaram em 1996 -- no exacto ano em que
o Nobel da Paz foi para D. Ximenes Belo e Ramos Horta -- surgiu,
em fascículos,
na «Seara Nova», no final dos anos 20, e posteriormente, já nos
anos 40, foi publicada em livro pela Agência Geral das Colónias.
Aquando do lançamento da reedição desta obra pelos
Livros Cotovia, Apolinário Guterres, padre católico timorense
e investigador das línguas vivas do território de Timor,
considerou ‘A Ilha Verde e Vermelha de Timor’ «... um bem inestimável
para o estudo da progressão histórica da nossa cidadania»
in:
Expresso, 1-06-96
Alberto Osório de Castro (1868-1946),
poeta e magistrado, amigo de Camilo Pessanha, ‘positivamente enfeitiçado
pela maravilhosa terra de Timor’ -- «Como o de Timor (...), não
há no mundo céu mais luminoso, mais docemente e maravilhosamente
colorido pelo sol ou pela lua, pelo arrebol ou pela tarde» --
faz neste livro uma assombrada descrição daquele povo
e daquela paisagem, detalhada e muito ao estilo do princípio
do século. Nada escapa à sua minuciosa observação
da então colónia de Timor: «Cruzam-se, nas suas
impressões sobre a ‘Insulíndia’, a condição
social de juiz e o léxico prolixo do simbolismo, mais a sabedoria
científica de um amador instruído em áreas que
iam da Biologia à Etnologia, da Geologia à Antropologia,
da Botânica à Geografia, somando-lhes o conhecimento das
literaturas. O resultado é um relato maravilhado trespassado
de referências inerentes a essa erudição, rendendo-se
perante paisagens, gentes e bichos.»
António Loja Neves,
in: Expresso, 1-06- 96
A civilização
primitiva do timorês não merece o nosso desdém
ou a nossa incompreensão. Todas as grandes invenções
da humanidade as tinha ele feito ou adoptado centénios ou milénios
antes dos Dominicanos portugueses da Missão de Larentuca haverem
aportado a Lifau. Tinham e têm uma civilização
pastoril e agrícola completa, com um curioso esboço de
monarquia electivo-hereditária e manifestações
artísticas notáveis.
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