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Histórias de amor de outros tempos colige narrativas de uma mais
vasta obra que dá pelo nome de Histórias que são hoje do passado (em japonês
Konjaku monogotari).
Este Decameron oriental, obra marcante da literatura japonesa, escrita,
julga-se, no século XII por mão ainda hoje anónima, permaneceu relativamente
desconhecida até meados do século XX, altura em que o grande escritor
japonês Akutagawa para ela chama a atenção tal como mais tarde
chamará o cineasta Kurosawa.
Das mil e cem histórias que constituem a mais volumosa compilação da
literatura japonesa, aqui se publicam vinte e quatro, seleccionadas por
Dominique Lavigne-Kurihara, sob a orientação do tema do Amor.
Precede-as um texto do conceituado escritor francês Pascal Quignard (de quem
a Cotovia já lançou As Tábuas de Buxo de Apronenia Avitia), uma
reflexão à volta de duas das histórias aqui publicadas e da ideia do
conhecimento entre amantes ou da falta dele.
Quando se pensa que o homem viveu com aquela mulher! Durante dois ou três
anos e nunca desconfiou de nada! E que nunca soube nada da identidade dos
homens que formavam o bando, quando participava nas expedições! É incrível
de mais! Contudo, uma vez, só uma vez, estava o grupo todo reunido, entreviu
por instantes, à luz dos archotes, o rosto daquele homem que se mantinha à
parte e que todos pareciam respeitar. E aquele belo rosto branco, tão
surpreendente num homem, tão bem desenhado, lembrou-lhe o rosto da sua
esposa. Mas não ousou acreditar que era, de facto, ela.
Em todo o mundo há histórias extraordinárias, e foi assim que esta nos foi
contada.
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