Comparar Lafcadio Hearn a uma instituição japonesa
não será um exagero. O repórter que desembarcou
no Japão em 1890 tornar-se-ia no veículo dilecto
das coisas japonesas para o Ocidente. Dotado de um temperamento
emotivo, que pasma perante cada detalhe, transmitirá nos
seus escritos a fruição da beleza tranquila do quotidiano,
tentando compreender o que está por trás do encanto
daquelas artes e costumes.
Nascido na Grécia a 27 de Junho de 1850, de pai anglo-irlandês
e mãe grega, Lafcadio pouco conviveu com os pais, tendo
sido criado por uma tia-avó, perto de Dublin. Aos 19 anos
parte para os Estados Unidos, onde se torna repórter. O
sucesso da sua escrita leva-o a ser contratado pela Harper Publishing
Co, que o envia para as Índias Ocidentais e para o Japão.
Chega a Yokohama na Primavera de 1890.
No Japão, ganha a vida essencialmente como jornalista e
professor. Morre aos 54 anos, deixando mais de 4.000 páginas
escritas sobre o país que o elegeu como maior intérprete
e testemunha, o seu ‘gaijin’, ou ‘laureado’.
No seguimento de O Japão. Uma antologia de escritos sobre
o país, lançado recentemente, os Livros Cotovia apresentam
agora o segundo volume de escritos de Lafcadio Hearn, que desta
vez incidem especialmente sobre o povo japonês: O Japão.
Uma antologia de escritos sobre as gentes.