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[Teatro de autores de língua portuguesa]

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António, um rapaz de Lisboa

  ISBN:972-8028-48-2

Silva Melo, Jorge

200 pp.

€13.00

 

 

O texto de “António, um rapaz de Lisboa” foi elaborado num Seminário de Escrita Teatral organizado pelo Serviço Acarte da Fundação Calouste Gulbenkian entre 1 de Fevereiro e 14 de Março de 1995.

“Fomos mais ou menos 20 pessoas a fazê-lo: e durante 24 sessões juntos pensámos, errámos, perdemo-nos, encontrámos (de vez em quando houve uns “Eureka!” e isso foi bom) e discutimos e esquecemos e voltámos a pensar.
A pensar?
Sobre como é viver em Lisboa. Um rapaz viver em Lisboa. Uma rapariga, outra, uma mulher, outros rapazes.
Quando? Hoje.
Será como a gente escreveu? Se calhar não é. E depois?”
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Jorge Silva Melo, in “Prefácio de quem vai à guerra”, António, um rapaz de Lisboa.

A peça “António, um rapaz de Lisboa” estreou no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, em Setembro de 1995, no âmbito dos Encontros Acarte. Encenada por Jorge Silva Melo, contou com o desempenho dos actores:
Lia Gama, Manuel Wiborg, Sylvie Rocha, Isabel Muñoz Cardoso, Paulo Claro, Marco Delgado, Joana Bárcia, Alfredo Nunes, Isabel Leitão.

Em 2001, Jorge Silva Melo realizou o filme "António um rapaz de Lisboa", com o referido elenco da peça, e ainda Ivo Canelas, Miguel Borges, Glicínia Quartin, António Simão, Artur Ramos, José Airosa, Luís Esparteiro, Luís Gaspar, Madalena Victorino, Nuno Lopes, Ricardo Aibéo, Teresa Roby, entre outros.

 

António: ... estão a olhar para mim... para as minhas costas... o meu rabo... não me posso mexer... não olhem para mim assim... não... sabem como é?... ganhar a vida... não olhem para mim, a desenhar há quanto tempo estou eu aqui, nu em frente a estes gajos que olham para mim, o radiador ao pé para eu não ter frio, posso mexer de cinco em cinco minutos, agora não posso, mexi há bocado, não olhem para mim, estão a olhar-me para os braços, aquela gaja está a desenhar-me o braço direito, as veias saídas hoje estão as veias saídas... ou é da posição, estão a olhar para mim, a olhar para o meu rabo, não sabem, estão a desenhar... há quanto tempo estou aqui... modelo nu... há quanto tempo... ainda não posso mexer, ainda não... o radiador ao pé... ou é da posição... não costumo ter cãibras... ou é de hoje... não dormi... custa mais do que na semana passada... não olhem para mim assim, estão a desenhar-me o braço, o braço direito, na semana passada era outra posição... esta não sei, hoje custa mais, não sabem, não sabem, não olhem para mim, não olhem para mim assim, já posso mexer?

Jorge Silva Melo, António, um rapaz de Lisboa

 

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