Muitas vezes temos dito que a nossa função no teatro é ainda política e que o espaço político que nos resta é o do confronto da céptica e cínica maneira de viver deste princípio do século XXI com a generosidade de outros tempos, com outras maneiras de inventar o Homem que pomos em cena. E Schiller é disso que fala: a invenção de uma nova humanidade. A sua Espanha negra é a metáfora de uma sociedade onde a liberdade não existe, onde é proibida aos homens a sua humanidade.
Este é um teatro abstracto, filosófico, literário, como já não conhecemos e tendemos a condenar porque não entretém. Dói. E dói mais porque nele não reconhecemos as revoluções, os movimentos de massas, que já catalogámos como via para as transformações do mundo. Aqui a construção do futuro é primeiro o trabalho das consciências individuais fortalecendo-se ou debatendo-se em fraternidades verdadeiras com outros indivíduos, com outros homens verdadeiramente humanos. Não se trata de tomar o poder. Trata-se de viver em liberdade. Do desejo vital de um mundo de “amor”, um mundo “novo”, “belo” (…).