|
Júlio César quer o poder numa Cidade que sabe estar minada pela
podridão, pela intriga, pela alienação. A Tragédia
de Júlio César, título com que a peça nos aparece
na sua primeira edição, é a tragédia de quem assume
o poder sabendo que não pode ser justo quem governa um mundo injusto,
e assim se condena à morte. Por ambição, como dizem os honestos?
Não importa. Quem quiser reinar num mundo injusto terá de ser tirano.
E por ser tirano será abatido. E sendo abatido dará lugar a nova
tirania, mais injusta do que a sua, numa Cidade que o terá abatido menos
para se purificar que para esconjurar uma culpa que é incapaz de reconhecer.
Mais do que a tragédia de um homem ou a tragédia do poder, A
Tragédia
de Júlio César é a tragédia da própria Cidade,
da própria vida política de todos os seus cidadãos. Júlio
César é a tragédia de Roma. E Roma é a Cidade, é a
vida em comum dos homens.
Os tradutores:
José Manuel
Mendes, Luís Lima Barreto e Luis Miguel Cintra integram
o Teatro da Cornucópia e traduziram em conjunto, entre outras
peças
de diferentes autores, Cimbelino, Tito
Andrónico e Júlio
César de Shakespeare.
José Manuel Mendes estudou na Faculdade de Letras de Lisboa e iniciou a actividade teatral
no Grupo de Teatro
da mesma faculdade, sob a direcção de Fernando Amado.
Após
um interregno longo, voltou ao teatro e trabalha regularmente, desde
1981, no Teatro da Cornucópia.
Luís Lima Barreto estudou na Faculdade de Letras de Lisboa, onde iniciou a sua actividade
no
Grupo de Teatro. Em 1968 entrou para o Teatro Experimental de Cascais,
tendo passado depois pela Casa da Comédia. Em 1973 integra
o elenco inicial do Teatro da Cornucópia.
Luis Miguel Cintra estudou na Faculdade de Letras de Lisboa, onde iniciou a sua carreira
de actor e encenador no Grupo de Teatro. Frequentou a Bristol
Old Vic Theatre School, em Inglaterra. Em 1973 fundou em Lisboa, com
Jorge Silva Melo, o Teatro da Cornucópia, que desde então dirige,
agora com Cristina Reis. Trabalhou como actor e encenador em diversas capitais
da Europa. No cinema participou em 44 filmes portugueses e estrangeiros,
tendo trabalhado sobretudo com Manoel de Oliveira.
|