Nove personagens imploram,
ofendem, atormentam, julgam, debitam sentenças e máximas, sugam-se
umas às outras, palavras e atenção, procurando dar
sentido às relações humanas. Sem compreender a linguagem
dos homens, Phoebe Zeitgeist recolhe fragmentos dos discursos, para os
regurjitar mais tarde de forma descontextualizada. Frases como O
que é bom
nunca dura muito [...], Tenho de me proteger. É a lei da natureza [...], É preciso poder comprar coisas [...] e Toda
a gente tem medo [...] rapidamente perdem o sentido. Acontece que as restantes personagens
deixam de saber fazer uso do discurso, quando, despido de contexto, este
deixa de servir.
Phoebe remata a reportagem sobre a democracia dos homens, que estava
incubida de fazer, questionando o entendimento e a razão.
Sangue no Pescoço do Gato foi
escrito em 1971 com o subtítulo “Marylin chez les Vampires”.
Sobre a peça, diz o autor “deve chamar a atenção
para o facto de neste sistema, tal qual eu o vejo, tudo conduzir à opressão”.
MULHER: Bateste-me. Querias
matar-me à porrada.
TALHANTE: Cala a boca! Queres
que o prédio todo te oiça?
MULHER: Quero, quero, quero.
Tu bateste-me. Ele bateu-me!!
TALHANTE: Cala-te senão eu
mato-te mesmo, ouviste? Maria, por favor.
MULHER: Não me toques.
TALHANTE: Não te zangues.
Eu peço desculpa.
MULHER: Socorro, socorro!
TALHANTE: Cala-te. Senão
sou eu que te calo.
MULHER: Ele vai-me matar.
Socorro.
TALAHNTE: Maria, por favor!
Por favor. Por favor, por favor.
MULHER: Não... tu... não!...
pára...
TALHANTE: Não te posso ouvir
mais gritar, não posso. Já pedi desculpa. Maria... Maria... ouve... Maria!!!
Eu não queria que isto acontecesse. Eu não queria. A sério. Pai-nosso
que estais no Céu. Perdoa-me.
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