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[Teatro traduzido]

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Sangue no pescoço do gato

  ISBN: 972-795-139-2

Fassbinder, Rainer Werner

62 pp.

€10,00


Nove personagens imploram, ofendem, atormentam, julgam, debitam sentenças e máximas, sugam-se umas às outras, palavras e atenção, procurando dar sentido às relações humanas. Sem compreender a linguagem dos homens, Phoebe Zeitgeist recolhe fragmentos dos discursos, para os regurjitar mais tarde de forma descontextualizada. Frases como O que é bom nunca dura muito [...], Tenho de me proteger. É a lei da natureza [...], É preciso poder comprar coisas [...] e Toda a gente tem medo [...] rapidamente perdem o sentido. Acontece que as restantes personagens deixam de saber fazer uso do discurso, quando, despido de contexto, este deixa de servir.
Phoebe remata a reportagem sobre a democracia dos homens, que estava incubida de fazer, questionando o entendimento e a razão.

 


Sangue no Pescoço do Gato foi escrito em 1971 com o subtítulo “Marylin chez les Vampires”. Sobre a peça, diz o autor “deve chamar a atenção para o facto de neste sistema, tal qual eu o vejo, tudo conduzir à opressão”.

 

 

MULHER: Bateste-me. Querias matar-me à porrada.

TALHANTE: Cala a boca! Queres que o prédio todo te oiça?

MULHER: Quero, quero, quero. Tu bateste-me. Ele bateu-me!!

TALHANTE: Cala-te senão eu mato-te mesmo, ouviste? Maria, por favor.

MULHER: Não me toques.

TALHANTE: Não te zangues. Eu peço desculpa.

MULHER: Socorro, socorro!

TALHANTE: Cala-te. Senão sou eu que te calo.

MULHER: Ele vai-me matar. Socorro.

TALAHNTE: Maria, por favor! Por favor. Por favor, por favor.

MULHER: Não... tu... não!... pára...

TALHANTE: Não te posso ouvir mais gritar, não posso. Já pedi desculpa. Maria... Maria... ouve... Maria!!! Eu não queria que isto acontecesse. Eu não queria. A sério. Pai-nosso que estais no Céu. Perdoa-me.

 

 

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